WW – Double You
Estou cá em Portugal há quase 2 meses e boa parte das pessoas não sabem ainda no que venho trabalhando. Hoje foi a primeira apresentação do meu projeto integrado antes da parada para as festas e retorno para a implementação em janeiro. Estou trabalhando neste projeto com o Rui Ribeiro, um diretor de cinema daqui de Portugal que está fazendo o mesmo mestrado. Então abaixo farei um resumo do que será o projeto e mostrarei a primeira sketch da instalação interativa.
“WW – Double You” é um projecto de instalação interactiva baseada no conto “William Wilson” escrito por Edgar Allan Poe, em 1839. Nesse conto, o narrador – William Wilson – relata (na primeira pessoa) a história da sua vida, marcada pela presença insistente e inoportuna de um estranho personagem, um duplo de si mesmo, igual em nome, idade e fisionomia, mas com uma dimensão moral exactamente oposta à sua e cuja presença obsessiva impõe ao narrador uma espécie de consciência viva, denunciadora das suas inúmeras faltas. William Wilson será perseguido durante grande parte da sua existência (crescentemente dissoluta, viciosa e depravada) pelas sucessivas aparições do seu terrível, indesejado, duplo.
“Era, realmente, notável que, em nenhuma das múltiplas ocasiões em que ele recentemente se me atravessara no caminho, o fizesse com outro objectivo que não fosse o de frustrar os planos, ou perturbar as acções que, a terem sido levadas a cabo, poderiam ter provocado pesados danos.”
No final, irado com mais uma comprometedora intromissão nos seus propósitos pessoais, William Wilson trava com o seu duplo um duelo mortal onde o irá matar.
“Não havia um só fio das suas roupas, um único traço da sua fisionomia vincada e singular, que não fossem, na mais absoluta das identidades, os meus!
Era Wilson, mas não falava já num sussurro, e por pouco não imaginei que era eu próprio quem falava ao ouvir-lhe estas palavras.
- Tu venceste, e eu sucumbo. Mas de agora em diante estás também morto: morto para o Mundo, para o Céu e para a Esperança! Em mim existias; e vê na minha morte, vês através desta imagem, que é a tua, como te assassinaste fatalmente a ti próprio!”,“William Wilson”
Considerando a riqueza ficcional desta narrativa e a possibilidade de reflexão que proporciona sobre temas que, na nossa opinião, cruzam o campo de intervenção conceptual do Mestrado (duplo-consciência, reflexo-imagem, ausência-presença) propomo-nos trabalhar numa instalação interactiva para utilizador a solo, com os seguintes elementos e características:
- banda sonora, que integra a narrativa e o relato de William Wilson na primeira pessoa, dirigido directamente ao utilizador da instalação, no sentido de o envolver logo desde o início enquanto personagem (o duplo de William Wilson) e participante activo no “destino” do narrador (o texto original será trabalhado no sentido de eliminar todos os seus elementos literários e concentrar o discurso do narrador numa duração máxima de 5 minutos). A banda sonora será activada logo que o utilizador entre no espaço e vai progredindo em simultâneo com as deslocações deste no espaço da instalação.
- caixa/corredor (materiais ainda a definir) com cerca de 30 metros de profundidade por 1,5 metros de largura, com uma porta em cada extremo. paredes negras (ou com o mínimo possível de luz).
- tela de retro-projecção branca, no final do corredor.
- projectores/focos de luz dispostos ao longo do percurso (estes focos serão associados a sensores que identificarão o movimento e a distância do utilizador em relação à tela e permitirão manipular esta imagem de acordo com esta distância e com o desenrolar da narrativa na banda sonora). A ideia é que a luz seja mais um elemento que possa controlar minimamente a movimentação do utilizador ao longo do tempo necessário para a fruição da narrativa. Assim, ao longo do corredor, as luzes irão acendendo, “convidando” o utilizador a avançar até ao ecrã, em conjugação com o momento da narrativa.
- captação de imagem vídeo: desde o início, a imagem do utilizador será registada e projectada na tela. Dada a distância considerável entre o início do percurso e a tela (distância que impedirá só por si, ao princípio, uma visibilidade clara da imagem), esperamos que a presença deste “espelho virtual” possa funcionar como mais um elemento de curiosidade, cuja incerteza motive o utilizador a fazer todo o percurso de acordo com o desejado e projetado por nós tendo em conta uma fruição ideal da experiência no seu todo.
- processamento de imagem em tempo real, programada em processing: ao longo do percurso a imagem projectada (começa desfocada e com elementos perturbadores da reprodução “realista” do utilizador) vai ganhando uma visibilidade crescente, para que no final, o utilizador seja confrontado perante a sua imagem, num frente-a-frente a que o desenvolvimento da história dará sentido suplementar. a partir desse momento, a banda sonora termina e a narrativa chega ao ponto essencial. A imagem do utilizador é duplicada, e a sua cópia começa a sofrer uma série de distorções, deformações, de “catástrofes” crescentes que apenas o utilizador pode interromper, no momento em que, voluntariamente, abandonar o espaço de instalação.




[...] This post was mentioned on Twitter by Walmar Andrade, Rodrigo Medeiros. Rodrigo Medeiros said: ww – double you é uma instalação interactiva para utilizador solo. http://rodrigomedeiros.com.br/ww-double-you/ #mtad #projectointegrado [...]
Putz Rod, negocio complexo, hein? To orgulhosa de tu, visse? dando show por ai. Um beijao, lindao!
FANTÁSTICO! SIMPLESMENTE FANTÁSTICO!!!