O Menino Aranha
Fui desafiado nesta semana na cadeira de Narrativas Digitais do professor Nelson Zagalo a fazer uma geração de suspense, ou seja, escrever um texto narrativo de meia a uma página, no qual é necessário abster-se de nomear os elementos de informação – o quê, quem, como, porquê e quando – o mais possivel na progressão do texto. Segue a seguir meu texto entitulado, O Menino Aranha.
Perto do térreo passa pela rua, analisa o espaço e age lentamente, como nada estivesse a acontecer. Passou já do segundo andar, tão leve, tão rápido, praticamente imperceptível. Uma maratona de um homem só, predestinado a descobrir apenas a vossa sobrevivência. De um jeito meio estranho continua subindo, alisando paredes, escolhendo cada degrau que estar a subir.
Desta maneira vai ganhando confiança porém não sabe até onde conseguirá chegar. Meio chinelo parte para um lado, meio couro do pé para o outro, parte do que acreditava ser a sola do seu pé acaba de rachar.O suor começa a tocar em vossa camisola, desta maneira não finalizará vosso objetivo. Ainda falta metade do percurso e ele já aparenta desgaste realmente preocupante. Oito andares já estão passados e ele olha para o lado verificando alternativas para ir mais rápido.
Dez andares passados começa a brincadeira, lentamente inicia o processo de observação do que poderá levar e estar a planejar os lados para vossa saída. Subiu tão engenhosamente todos os quinze andares que nem parecia ter medo da altura. Neste momento já deixa de ter uma identidade – se é que algum dia tivesse uma – e passa a ser outra pessoa, que nem ele mesmo sabe descrever.
Outros talvez não pudessem acreditar no que ele estava a fazer neste momento, porém no vigésimo andar passa a praticar todos os truques que estava a planejar a dias na sua sétima passagem pela polícia. Não tem casa, vive na rua, de lugar em lugar, sempre a roubar, traficar e drogar-se, tanto por substâncias como pelo sistema prisional que não estava mais fazendo-o efeito.
O show começa. Passa a entrar pela janela de todos os andares e em poucos metros em cada apartamento já consegue jóias, dinheiro, cédulas de valor alto e se rende a pouca roupa, onde não há mais espaço para guardar vossas “conquistas”.
Começa a vossa descida, porém não estava a esperar que vossa trajetória fosse interrompida tão bruscamente. Um dos moradores, um policial de alta hierarquia inicia um combate feroz, sem resistência. Ele veio sem nenhuma arma, apenas equipado com seu sentimento e vontade de não querer sair, do show, da vida, da rua.