Impressionante como pequenas coisas podem mudar seu dia
Hoje foi daqueles dias que não começaram muito bem. Tive que ir ao hospital marcar uma consulta para mim (nada demais, apenas um dedo que inflamou e preciso que um médico veja), na metade do caminho lembro-me que deixei o passaporte no quarto. Volto, pego e continuo o caminho, desta vez, com uma tempestade nada agradável como clima. Aqui é assim, começou a chover, não espere que acabe, porque ela não vai acabar… Dito e feito, a tempestade só piorou, no clima e na minha ida ao hospital.
Chegando lá, vinte pessoas na minha frente, demora, demora, algumas pessoas tocindo. Eu ficando nervoso, todas as pessoas tocindo colocam máscara, fico menos nervoso.
Chega minha vez, falo com o rapaz, que sempre é muito simpático comigo, e ele me diz claramente e bem lentamente: “Senhor, hoje não teremos mais atendimento pois estamos com muitos pacientes com febre e suspeita de gripe A, teremos que marcar amanhã”.
E eu o respondo: “Certo, pode marcar”. E ele me diz novamente, calmamente: “Não, Senhor. O senhor tem que ligar para cá amanhã ou vim aqui pela manhã para marcar uma consulta”. Ok. Entendi. Hospital público é a mesma coisa em todo mundo, ou dorme na porta ou não consegue. Como não aguentaria ficar nos 10 graus a noite toda, não consegui vaga, amanhã eu ligo.
Volto para casa, calça toda ensopada. E uma constatação, a basqueteira que eu trouxe para cá pensando que ia ser meu calçado de confiança que poderia usar no frio e na chuva, porque não entraria água… abriu, entrou água e todo o solado se descolou. Depois dessa nada poderia piorar. Mero engano.
Tinha ainda que fazer minha outra tarefa do dia: entrar em contato com o consulado de Portugal em Recife. Ligo o computador, abro o skype e às 11 horas da manhã daqui ligo para o celular do consulado, ou seja, levo um fora. O rapaz atendeu e foi bem simpático mas… esqueci que Recife são três horas de diferença e ele ainda estava indo trabalhar. Ligo depois. 2 horas depois. E tenho a constatação: o consulado não recebe, nem manda informação via e-mail faz um tempo, ou seja, o consulado só está aceitando pedidos de informações via fax (bem tecnológico). Respiro… como achar um fax por aqui? Não vou achar, isso eu tenho certeza. Respiro… contacto meu pai e consigo que ele envie.
Pronto, uma das tarefas concluída. Já se passam das 15 horas e eu ainda não comi. Preciso ir comer, vou encontrar um lugar que ainda não comi. Fui em um lugar chamado Cristo Rei, realmente uma bela pedida. Pedi um prato, acompanha batata cozida mas o ponto principal e na verdade o grande motivo para escrever este texto todo: acompanha uma pepsi. Sim… e daí, Rodrigo?
O que acontece é que quando fui lendo o rótulo percebi que é o mesmo rótulo do Brasil e quando menos espero vejo quem produziu a lata: REXAM. Nossa… acho que foi o momento mais feliz da minha vida em vê uma lata de refrigerante. Abri um sorriso e pena que não tinha uma máquina para registrar na hora, porque realmente foi muito engraçado. Para quem não sabe, meu irmão trabalha nesta empresa e realmente quando vi este nome era a mesma coisa de está o nome dele estampado na lata.
Posso ter tido um dia ruim até agora mas que depois disso, realmente mudou um pouco a minha forma de ver o mundo, os fatos, as tarefas, a distância e a saudade. Fica aqui um abraço especial e saudoso para meu irmão, um grande companheiro nesta vida. E abaixo deixo uma música que sempre que escuto lembro de ti, meu irmão.
História do boi tatau (Parafusa)
Sabe, eu bem sei quanto somos irmãos.
Nossa infância que imaginação.
Lembro dos sonhos e sua proteção
Jogos antigos e a televisão
Sonhos, temores que te assustavam
Ondas gigantes, pranchões, Havaí, Zé Piline
Lutas na cama e os golpes mortais
Super-heróis, esses não voltam mais
Fomos moleques de jogar bola
Tantas histórias
“ca-caem” das lembranças que guardo
dos discos e livros, dos sonhos que habitam
e fazem de nós dois sempre irmãos
pega isso aí, olha o rojão
saia daí, não ponha a mão
olha a fogueira, vá lá buscar
vamos brincar, vamos trelar de novo
