Web design é o mesmo que web desenho? | Por Marcelo Prioste
Como dito no próprio texto do Marcelo, nem tudo que é velho é ultrapassado, seu texto é a prova concreta disso. Um texto leve e super entendível sobre a realidade dos profissionais de web design, que naquela época… leiam!
“Outro dia, estava na sala dos professores na Universidade quando escuto tocar o telefone. A secretária atende e passo a acompanhar um diálogo truncado em que ela repetia meio insegura: “Não, acho que não precisa, é só treinar com um pouco mias de empenho”. Bem, ao final da conversa não resisti e quis saber do que se tratava. E descobri que uma garota havia ligado para secretaria para perguntar se, no curso de design, era preciso saber desenhar.
Acredito que essa seja apenas uma das inúmeras confusões que surgem sobre o sentido da palavra design. Bem, para defini-la sob um ponto de vista teórica já há vários livros sobre o assunto no Brasil. Agora, o que mais tem me intrigado são aquelas pessoas que se identificam como “Web designers”. Normalmente, nesses casos, o sujeito nem designer mesmo é. É como se ele fosse especialista em algo que não conhece.
No fundo, isso também é um reflexo do mundo atual, onde os nomes chegam primeiro do que as coisas. No caso do web designer é pior…. Parece que a “invasão” dos “videomakers” nos anos 80. E, muitas vezes, a situação pode ficar pior ainda: não só os títulos chegam primeiro do que as qualidades, como, muitas vezes, substituem as qualidades. Em outras palavras, podemos dizer que o auto-intitulado “web designer” não chega nem a estudar os mínimos conceitos de design porque ela já é reconhecido como designer! Então a partir de amanhã, passo a me sentir um arquiteto e começo a fazer projetos! É claro que na arquitetura há atendidas que inibem atitudes deste tipo. Em breve a Web também será assim, espero.
Mas muita gente acha mesmo que design é desenho, ou seja, que é apenas um tratamento visual a determinado produto. Se há esta visão então faço questão de, humildemente, tentar corrigi-la. O designer, seja ele de produtos, gráfico ou de web é, antes de tudo, uma espécie de projetista. O design de determinada peça seria o equivalente ao desígnio daquela peça, seu objetivo, seu alcance. Haverá sempre um projeto sustentado por variáveis que, alimentado pelo repertório do designer, produzirá o design de algo, o projeto de algo. Assim, fica fácil percebermos que design não é arte. O design poder usar referencias da arte, pode estabelecer correlações com movimentos artísticos, mas seu caminho é outro.
Web designer é, portanto, alguém que projeto algo para web. Alguém que se prepara para tomar decisões, todo o tempo. Desde qual projeto gráfico será adotado, até qual tecnologia utilizar. Se ele não tiver preparo, a chance de ele repetir uma mesma fórmula de sucesso é muito maior. Isso explica um pouco porque há tantos sites parecidos…
Então, podemos falar agora de um desenvolvedor de projetos para internet. O nome desta profissão só o tempo dirá mas, de qualquer maneira, ela parece estar sustentada por quatro grandes áreas de interesse:
1. interesse pelo hardware e pelo software. É o que dá sustentação aos projetos, os viabiliza;
2. interesse pelas mais diversas possibilidades de interação humana. Neste bojo inclui-se desde a História da Arte até os programas de TV;
3. interesse pelo contemporâneo, o olhar sempre ao redor;
4. interesse pelo senso crítico, pela postura contestadora e analítica. Nem tudo que é novo é bom, nem tudo que é velho é ultrapassado.
Percebe-se então, a enorme gama de conhecimento a ser absorvida. Por isso, é muito comum que existam equipes multidisciplinares que trabalhem para promover um encontro harmonioso entre a técnica (software), a forma (interfaces gráficas) e o conteúdo.
E talvez o mais fascinante é que todos nós estamos tendo o privilégio de forjar essa nova linguagem dentro desse novo sistema de comunicação. Sistema esse que está se expandindo para eletrodomésticos e serviços. Mas isso também não quer dizer que os atuais profissionais podem, numa bela manhã, assumirem-se “gurus” de uma nova Era. Afinal, Internet e a web, sua faceta gráfica, são sistemas de comunicação que não vieram à Terra trazidos por alienígenas. Eles surgiram a partir de uma demanda natural de nossos tempos.
Portanto, eles são uma “cria” de nossa época, concebidos por relações, muitas vezes um tanto conturbadas, entre os veículos de comunicação existentes; Assim, ao querermos entender um pouco mais sobre algo, o melhor é observarmos atentamente de onde ele veio. Neste caso, de um estranho lugar, chamado planeta Terra. [Agosto 2000]”
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